O ESPECTRO
15,00 €
“O Espectro” é o livro de poesia mais recente de Ana Cláudia Santos, onde explora temas como o sobrenatural, a morte e a infância. “O Espectro” procura estabelecer uma ligação com os mistérios da vida e obra de Florbela Espanca. Ana Cláudia foi convidada a ser a primeira autora publicada pelas Edições Casa Florbela Espanca, convite que aceitou com a responsabilidade de prestar homenagem a esta poeta. "O Espectro" contém 8 poemas originais de Ana Cláudia, escritos em português e traduzidos para o inglês (por Emily Duffy) e para o espanhol (por Daniela Otheguy). A paginação e a revisão de texto foram feitas por Lia Cachim.
Os poemas foram escolhidos de forma a dialogarem entre si, com foco no mundo paranormal, no além-túmulo, nas saudades dos avós e na infância vivida numa pequena vila, Benavente. O livro contém oito poemas, um número que Ana considera simbólico para a história de Florbela, que nasceu a 8 de dezembro de 1894 e faleceu, por suicídio, a 8 de dezembro de 1930. Como os mistérios da morte, simbolismos e o ocultismo sempre fizeram parte dos temas que explora na sua poesia, este número e assuntos pareceram-lhe apropriados.
O título do livro também foi inspirado por Florbela. O poema favorito de Ana da autoria de Florbela chama-se “O Espectro”, que encontrou no livro “Trocando Olhares” (edição de 1985). Esse poema, também presente nas primeiras páginas do livro, serviu como base e introdução para o conteúdo e ambiente da obra. “O Espectro” representa, para Ana Cláudia a presença da morte como memória persistente de que existiu vida e uma figura que transita entre mundos. Com este livro, procurou criar uma transição entre campos linguísticos, temporais e dimensionais.
O primeiro poema do livro é “A Poesia”, escolhido para abrir a seleção por abordar a poesia como manifestação pura, sem necessidade de interpretação. Reflete sobre como a poesia cria novas almas, amplia os limites da realidade e está presente em todas as dimensões.
O segundo poema, “Poltergeist”, aborda a infância de Ana, marcada por experiências sobrenaturais. O narrador descreve uma procura obsessiva por entender esse além-mundo, que começa como curiosidade e se transforma num transtorno.
"Os meus olhos físicos não mergulham na extensão das almas" foi criado para o 7.º Festival de Poesia de Lisboa, com base no tema "Eu morro e remorro na vida que passa", e em homenagem à escritora Ana Luísa Amaral.
O quarto poema, "Benavente", é sobre a infância de Ana e a pequena vila que a viu crescer. Incluiu-o no livro em parte porque Florbela também cresceu numa pequena vila, Vila Viçosa, onde hoje se encontra a Casa Florbela Espanca.
"Antiquário" integra este livro em paralelo ao pai de Florbela, que era antiquário. O poema retrata uma visita a um antiquário, um "santuário" de memórias onde a narradora se sente ligada a objetos antigos, como se fossem portais para realidades além do tempo. Ao observar através de um telescópio de prata, mergulha num universo de fragmentos e lembranças, até que a fronteira entre ela e o telescópio se dissolve, questionando quem observa e o que é verdadeiramente visto.
Os últimos três poemas exploram o tema da morte. Ana Cláudia escreve sobre a morte porque é aquilo que mais a assusta. "A primeira vez que vi um morto" é sobre como a sua infância foi passada em funerais, acompanhada pela avó, e como esses tempos a ajudaram a encarar a morte como algo natural, apesar de assustador.
"Morrer deve ser estranho para quem não está habituado" descreve uma cena surreal, onde dois seres jogam eternamente. Um deles é uma "cabeça duradoura", sem olhos, e o outro é um “organismo verde”. Entre eles flutua uma mesa ornamentada, com um tabuleiro de luxo e peças preciosas.
Para fechar o livro, Ana escolheu o poema "Malware †1", sobre a morte do avô. No dia anterior à sua partida, avisou-a num sonho que iria para os "altos astros", para o "espaço puro", para as "cascatas do céu".
Ao traçar paralelos com a vida e obra de Florbela, "O Espectro" reflete também o caminho de Ana Cláudia Santos. Esta obra é uma homenagem não só a Florbela, mas a todas as mulheres que, através da poesia e da literatura, navegam pelos territórios desconhecidos da sua alma.